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1854–1932

VI

Delminda Silveira de Sousa

O Seminário seu vendo que estava tão bem montado, um dia a um reitor em quem confiava o entrega sem cuidado.

Ao Rio de Janeiro segue então, e lá, sempre modesto, merece a boa estima e proteção do nobre D. João sexto.

Este monarca que tão bem sabia os dotes seus prezar, alguns meninos órfãos lhe confia, que os quer bem educar.

E jamais a tão belos protetores, o Irmão Joaquim, pedira esmola alguma, alguns favores, sem ter piedoso fim!

Ele nada possuía, nem deseja cousa alguma, também; para si o prazer somente almeja de — a todos fazer bem!

Daí, partiu para S. Paulo, um dia, bastante enfermo, entanto; mas das virtudes nunca ele esquecia o misterioso santo.

E esmolas por todo aquele Estado longo tempo colhendo, dois colégios fundou, abençoado sempre dos pobres sendo.

Foi assim que entretido a desenhar as paisagens que via, foi preso: pois puderam acreditar ser estrangeiro espia!

Mil insultos sofrendo, paciente, foi ao Rio levado; Mas D. João liberta-o IN-CONTINENTI, por tal fato magoado.

A Jacuacanga então se destinara a obra a ultimar do Seminário que lá começara, um dia, a levantar.

Após, voltando ao Rio, lhe chegou a notícia cruel que de sua terra o asilo que fundou converteram em quartel!

Ah!... dos seus sacrifícios, do seu zelo, do seu bendito amor, como puderam o furto santo e belo assim tratar?... Senhor!...

À casa do marquês do Lavradio, presto segue, confiante; este recebe o santo homem pio, com modo cativante.

Clama o santo varão, justiça clama, contra a ímpia medida, e do seu zelo ardendo em pura chama chora-lhe a alma dorida.

Desalojado fosse, — ele pedia, o seu caro Hospital que para os pobres erigira um dia em sua terra natal!

Que os infelizes, por obediência dar ao Governador, dispersos iam, entregues à inclemência da miséria, da dor!

Tais palavras bastaram, o bom marquês, já no seguinte dia, o tão justo pedido satisfez no ofício que expedia.

E o Governo de Santa Catarina restituiu alfim, aos míseros a dádiva divina do — Irmão Joaquim!

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