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1854–1932

Vésper

Delminda Silveira de Sousa

Oh! místico fanal, Oh! meiga filha da saudosa hora, vem beijar a cecém que te namora do lago no cristal!

Brilham do prado os lumes, perpassa a brisa merencória e grata, abrem no val’ caçoulas d’ouro e prata a derramar perfumes.

Nos plainos, nas quebradas, e sobre o leve azul das ondas mansas, já solta triste noite as negras tranças de perlas enastradas.

Vem, astro meu risonho, confidente gentil dos meus amores: é bela a noite e eu quero em teus fulgores haurir meu doce sonho!

Lá surge alfim do monte a meiga fada que sorri no lago! Seu brando raio em carinhoso afago já vem beijar-me a fronte!

Oh! doce e meiga Diva, celeste mensageira da esperança, tu que trazes aos nautas a bonança, — dá-me a ventura esquiva!

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