Oh! místico fanal,
Oh! meiga filha da saudosa hora,
vem beijar a cecém que te namora
do lago no cristal!
Brilham do prado os lumes,
perpassa a brisa merencória e grata,
abrem no val’ caçoulas d’ouro e prata
a derramar perfumes.
Nos plainos, nas quebradas,
e sobre o leve azul das ondas mansas,
já solta triste noite as negras tranças
de perlas enastradas.
Vem, astro meu risonho,
confidente gentil dos meus amores:
é bela a noite e eu quero em teus fulgores
haurir meu doce sonho!
Lá surge alfim do monte
a meiga fada que sorri no lago!
Seu brando raio em carinhoso afago
já vem beijar-me a fronte!
Oh! doce e meiga Diva,
celeste mensageira da esperança,
tu que trazes aos nautas a bonança,
— dá-me a ventura esquiva!