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1854–1932

V

Delminda Silveira de Sousa

De espinhos uma coroa, rubro manto Sobre os ombros, por cetro verde cana, Sofre os insultos de uma plebe insana Dos homens todos o mais puro e santo.

Pilatos inocente o julga tanto, Que assim propõe à multidão tirana: — Soltar Jesus, e a morte desumana A Barrabás infame dar no entanto.

Mas o povo enfurece, ruge, brada, Que a uma graça tal, inesperada, Mais enlouquece, mais raivoso fica. — “Que farei de Jesus?” então lhes diz

O fraco, pusilânime juiz; — “Crucifica-o!” repetem, “crucifica!”

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V · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove