De espinhos uma coroa, rubro manto
Sobre os ombros, por cetro verde cana,
Sofre os insultos de uma plebe insana
Dos homens todos o mais puro e santo.
Pilatos inocente o julga tanto,
Que assim propõe à multidão tirana:
— Soltar Jesus, e a morte desumana
A Barrabás infame dar no entanto.
Mas o povo enfurece, ruge, brada,
Que a uma graça tal, inesperada,
Mais enlouquece, mais raivoso fica.
— “Que farei de Jesus?” então lhes diz
O fraco, pusilânime juiz;
— “Crucifica-o!” repetem, “crucifica!”