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1854–1932

Um canto

Delminda Silveira de Sousa

É formosa a baía do “Desterro”, como lago sereno, d’águas cor de safira; passa a brisa sutil de serro em serro,

e doce e brando treno nas ondas suspira. Corta leve batel as águas mansas, a branca vela cheia,

roçando o mar azul; voam gaivotas como fogem esp’ranças, e geme a onda e anseia ao brando vento-sul.

Nas tardes de verão à hora bela, em que o sol embrandece, cobrindo o Céu de rosas doura-se o mar em límpida aquarela,

e a nuvem s’esvaece em pérolas mimosas. Ah! nessa hora da saudade amada, eu, solitária e triste,

nos sonhos da poesia, pelas ternas saudades embalada, um bem que não existe crio na fantasia.

Cismando, à beira-mar, do Céu tão lindo que vejo retratado, nas águas sossegadas, as leves cores que se vão sumindo

me lembram do passado as rosas desmaiadas. Então, de afeto cândido os dulçores minh’alma apaixonada

envolvem com fervor; e — a ti — berço gentil dos meus amores, minha terra adorada, teço um canto de amor!

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