É formosa a baía do “Desterro”,
como lago sereno,
d’águas cor de safira;
passa a brisa sutil de serro em serro,
e doce e brando treno
nas ondas suspira.
Corta leve batel as águas mansas,
a branca vela cheia,
roçando o mar azul;
voam gaivotas como fogem esp’ranças,
e geme a onda e anseia
ao brando vento-sul.
Nas tardes de verão à hora bela,
em que o sol embrandece,
cobrindo o Céu de rosas
doura-se o mar em límpida aquarela,
e a nuvem s’esvaece
em pérolas mimosas.
Ah! nessa hora da saudade amada,
eu, solitária e triste,
nos sonhos da poesia,
pelas ternas saudades embalada,
um bem que não existe
crio na fantasia.
Cismando, à beira-mar, do Céu tão lindo
que vejo retratado,
nas águas sossegadas,
as leves cores que se vão sumindo
me lembram do passado
as rosas desmaiadas.
Então, de afeto cândido os dulçores
minh’alma apaixonada
envolvem com fervor;
e — a ti — berço gentil dos meus amores,
minha terra adorada,
teço um canto de amor!