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1854–1932

Um buquê de violetas

Delminda Silveira de Sousa

Musa do Céu, consoladora amiga, vem carinhosa como meiga aurora à lira adelgaçar-me os negros véus... Pede-me o bardo um canto... que te siga,

deixa um momento est’alma cismadora ao Éden me conduz dos Paços teus. Preciso colher flores mais ridentes, como as rosas apenas descerradas

que a Primavera nos regaços traz; preciso cores, brilhos refulgentes como arrebóis de lindas madrugadas, que plúmbea nuvem pelo Céu desfaz.

Quero harmonias brandas, maviosas como o cantar do sabiá sonoro, na primavera, no jambeiro em flor; margaridas gentis, purpúreas rosas...

um ramalhete lindo e perfumoso, contigo, ó doce musa, eu vou compor! Mas... ah! nem cravos nem rosas, nem margaridas garridas!...

Só vejo tristes, pendidas, as violetas mimosas... Qu’importa? — É a linda violeta; deve estimá-la o poeta

que estima as flores singelas; eia, ó musa! ao prado vamos, um ramalhete façamos d’aquelas florinhas belas!

Poeta! aceita a homenagem pura! Ao pé da tua fulgurante palma, deixa qu’eu ponha as flores sem renome! Entre os mimos mais gratos da natura,

— elas têm as tristezas da minh’alma e são humildes como o é meu nome!

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