Musa do Céu, consoladora amiga,
vem carinhosa como meiga aurora
à lira adelgaçar-me os negros véus...
Pede-me o bardo um canto... que te siga,
deixa um momento est’alma cismadora
ao Éden me conduz dos Paços teus.
Preciso colher flores mais ridentes,
como as rosas apenas descerradas
que a Primavera nos regaços traz;
preciso cores, brilhos refulgentes
como arrebóis de lindas madrugadas,
que plúmbea nuvem pelo Céu desfaz.
Quero harmonias brandas, maviosas
como o cantar do sabiá sonoro,
na primavera, no jambeiro em flor;
margaridas gentis, purpúreas rosas...
um ramalhete lindo e perfumoso,
contigo, ó doce musa, eu vou compor!
Mas... ah! nem cravos nem rosas,
nem margaridas garridas!...
Só vejo tristes, pendidas,
as violetas mimosas...
Qu’importa? — É a linda violeta;
deve estimá-la o poeta
que estima as flores singelas;
eia, ó musa! ao prado vamos,
um ramalhete façamos
d’aquelas florinhas belas!
Poeta! aceita a homenagem pura!
Ao pé da tua fulgurante palma,
deixa qu’eu ponha as flores sem renome!
Entre os mimos mais gratos da natura,
— elas têm as tristezas da minh’alma
e são humildes como o é meu nome!