A tarde morria,
a lua surgia
com doce poesia
no plácido Céu;
minh’alma saudosa
mais triste e queixosa,
na voz amorosa
da lira gemeu:
As cândidas flores
em brandos vapores,
entornam odores
do seio gentil;
o lago retrata
nas águas de prata
o verde da mata
num fundo de anil.
No meio das rosas
purpúreas, mimosas,
as rolas saudosas
gemendo adormecem;
nas moitas que oscilam,
mil lumes cintilam,
estrelas rutilam
nos véus qu’escurecem.
No mar e na terra,
no campo e na serra,
na flor que descerram
que doce viver!
Porém, no meu seio,
que mágoas, que anseio,
que vago receio...
que atroz padecer!...
A noite formosa,
silente, chorosa,
lá vem majestosa,
seus véus arrastando;
nos negros vestidos
brilhantes prendidos,
cabelos descidos,
o ar perfumando.
É triste a minh’alma!...
Sem risos, sem calma,
nos prantos acalma
da vida o penar!
Nas vozes da lira,
soluça, suspira,
— foi todo mentira
meu ledo sonhar! —