Teus ditosos quinze anos
são quinze rosas mui belas,
tão puras e tão singelas
como a tua alma inocente.
As alvas da primavera,
oh! não! não têm mais doçuras
do que as auroras tão puras
desta quadra florescente!
Na tua idade formosa
como são belos os sonhos!
Como os dias são risonhos,
e o mundo cheio d’encantos!...
Sem ter a mente lembrança
de alguma crença perdida,
quão bela desliza a vida
por entre risos e cantos!
A flor serena das águas
que em linda manhã de Abril
a meiga aragem sutil
bafeja, sem perturbar,
não tem mais doce sossego
do que o teu cândido seio,
que nunca o mais leve anseio
de manso fez palpitar.
Qual da leda Primavera
mais belas abrem-se as flores,
e d’aurora os esplendores
mais vivos brilham no Céus,
assim na tu’alma pura
brilha com mais pura essência
a branca flor da inocência
tão grata aos olhos de Deus.
Conserva, pois, entre as rosas
dos teus ledos quinze anos,
a flor que os puros arcanos
desvenda nos sonhos teus;
e lembra que da inocência
a branca flor perfumada
do mundo é sempre estimada,
sempre é querida dos Céus!