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1854–1932

Teus quinze anos

Delminda Silveira de Sousa

Teus ditosos quinze anos são quinze rosas mui belas, tão puras e tão singelas como a tua alma inocente.

As alvas da primavera, oh! não! não têm mais doçuras do que as auroras tão puras desta quadra florescente!

Na tua idade formosa como são belos os sonhos! Como os dias são risonhos, e o mundo cheio d’encantos!...

Sem ter a mente lembrança de alguma crença perdida, quão bela desliza a vida por entre risos e cantos!

A flor serena das águas que em linda manhã de Abril a meiga aragem sutil bafeja, sem perturbar,

não tem mais doce sossego do que o teu cândido seio, que nunca o mais leve anseio de manso fez palpitar.

Qual da leda Primavera mais belas abrem-se as flores, e d’aurora os esplendores mais vivos brilham no Céus,

assim na tu’alma pura brilha com mais pura essência a branca flor da inocência tão grata aos olhos de Deus.

Conserva, pois, entre as rosas dos teus ledos quinze anos, a flor que os puros arcanos desvenda nos sonhos teus;

e lembra que da inocência a branca flor perfumada do mundo é sempre estimada, sempre é querida dos Céus!

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