Vem raiando serena a madrugada,
rubros botões na moita serenada
em rosas vão se abrir;
mimosas flores no matiz virente
as pétalas estendem docemente,
— só eu não sei sorrir!
Acordam passarinhos no arvoredo,
harmonias de amor num hino ledo
vão todos modular;
a brisa passa segredando às flores
um poema de cândidos amores,
— só eu não sei cantar!
Agora, a tarde vem; as flores pendem,
véus de tristeza pelo azul s’estendem,
tudo exprime — sofrer!
Soluça a rola, as suspirosas águas...
e minh’alma suspira imersa em mágoas
“Meu Deus! Só sei gemer!”