Eu reclinando a fronte no teu peito,
dizia, na minh’alma embevecida:
“— Este é o homem que eu amo, o meu eleito,
deixa, deixa que assim se passe a vida!”
Se por teu coração compreendida
fora essa voz do meu amor perfeito,
ah! desse-mo esse longo abraço estreito
em que à tu’alma foi minh’alma unida!
Mas... ilusão!... esse inefável gozo
do Paraíso, no viver ditoso
dum ideal e místico transporte,
Um dia, cruelmente arrebatado
foi pelo sopro ríspido, gelado
da implacável, despiedada Morte!