“Tudo de ti me fala: este silêncio,
Este raio de sol que vem beijar-me,
Aquele azul do céu, a meiga hora
Que docemente soa como as notas
Dum canto de saudades...
Tudo de ti me fala! E, eu, só,
Eu, triste, pergunto ao sol, às brisas, ao silêncio
Onde és tu, onde és tu, amor dest’alma!
E a brisa passa, e o silêncio é mudo,
E o raio de sol que vem beijar-me
Langue arrefece, esmorecido morre!...
Onde vaga o teu doce pensamento
Que o não sinto junto a mim pousar-se?
Embalde à linda estrela vespertina
Eu pergunto, se, além, nos Céus, acaso,
Errante o não encontra, entre essas nuvens
Que choram orvalhos sobre os brancos lírios,
Embalde!... A estrela volve à madrugada:
Se a interrogo, cândida, desmaia,
E os arrebóis em lágrimas se esfumam!...”