Primavera da vida venturosa,
quinze anos! — meu sono de criança
mimoso sonho de fugace esp’rança,
botão singelo de virgínea rosa!
Inda vejo-te a imagem vaporosa...
ainda te conservo na lembrança!
Eras a meiga pomba da bonança,
eras a aurora de manhã formosa!
Mas a flor dura um dia; o sol desmaia;
geme a rola; suspira a onda pura,
e morre a onda quando chega à praia.
Assim passa-se a quadra da ventura!
E d’avezinha que o voar ensaia,
rasga-se o peito contra a rocha dura!