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1854–1932

QUEM SABE

Delminda Silveira de Sousa

Quem sabe se a branca nuvem que vai no azul deslizando a outra nuvem buscando até se unirem nos Céus,

não é um’alma que voa em busca da gêmea sua, e ali, ao clarão da lua, s’enlaçam unidas por Deus?...

O alvo lírio singelo da perfumada inocência que abriu na rica opulência de sua farta verdura,

se melindroso desmaia d’aragem ao beijo ofegante, quem sabe? — naquele instante se não pendeu de amargura!

Ah! geme a rola sozinha e a sombra da noite cai, não teve um ecoo seu — ai —, porém a triste não cansa!

Quem sabe?... não volve o amante E ela o esperava ainda, E aquela saudade infinda Matou-lhe a doce esperança!

Casal de garças mimosas, vai pelo lago boiando dos nenúfares brincando co’as... aurora abriu;

assim tão alvas, juntinhas, no mesmo ninho dormindo, quem sabe — em lago tão lindo que terno afeto as uniu!

Doce o crepúsculo da tarde eu cismo e meu peito anseia: o que minh’alma receia?... que mágoa d’estranha dor...

Passa a brisa: por meus lábios, Por meus olhos roça um beijo... Meu Deus! que vago desejo... Quem sabe? — Meu Deus! que amor!...

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