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1854–1932

PRECES — Ave Maris Stella!

Delminda Silveira de Sousa

Almas doridas, almas aflitas por este vale de dor, prostradas, preces ferventes, preces contritas orai, serenas, de fé banhadas.

Calem-se notas ledas, festivas... funda tristeza paira nos ares; duros espinhos de mágoas vivas brotam no horto dos tristes lares.

Auras que descem do Céu à terra trazem gemidos, trazem quebranto; nuvem sóbria que o mal encerra passa, vazando chuvas de pranto.

Mas, sobre a espessa, vasta negrura nessa tormenta desencadeada, brilha uma Estrela mística, pura, meiga, piedosa, imaculada.

Preces constantes, fervida prece de amor extremo que em fé palpita, nem um só dia noss’alma cesse d’erguer à Estrela do Céu bendita.

Porto d’esperança, seguro porto, fanal divino, — mostra-nos pia; dos tristes lares em cada horto semeia flores, Virgem Maria!

D’aurora à tarde, da tarde à noite, no ar, na Terra, de sobre as águas, suspenda o anjo de Deus o açoite, Virgem das Dores, por tuas mágoas!

Maris Stella, Ave, Maria! Vem, piedosa, oh, vem salvar-nos! É longa a noite, escura e fria... Maris Stella, vem, tu, guiar-nos...

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