Almas doridas, almas aflitas
por este vale de dor, prostradas,
preces ferventes, preces contritas
orai, serenas, de fé banhadas.
Calem-se notas ledas, festivas...
funda tristeza paira nos ares;
duros espinhos de mágoas vivas
brotam no horto dos tristes lares.
Auras que descem do Céu à terra
trazem gemidos, trazem quebranto;
nuvem sóbria que o mal encerra
passa, vazando chuvas de pranto.
Mas, sobre a espessa, vasta negrura
nessa tormenta desencadeada,
brilha uma Estrela mística, pura,
meiga, piedosa, imaculada.
Preces constantes, fervida prece
de amor extremo que em fé palpita,
nem um só dia noss’alma cesse
d’erguer à Estrela do Céu bendita.
Porto d’esperança, seguro porto,
fanal divino, — mostra-nos pia;
dos tristes lares em cada horto
semeia flores, Virgem Maria!
D’aurora à tarde, da tarde à noite,
no ar, na Terra, de sobre as águas,
suspenda o anjo de Deus o açoite,
Virgem das Dores, por tuas mágoas!
Maris Stella, Ave, Maria!
Vem, piedosa, oh, vem salvar-nos!
É longa a noite, escura e fria...
Maris Stella, vem, tu, guiar-nos...