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1854–1932

Pororoca

Delminda Silveira de Sousa

Eis a luta tremenda! — o poderoso rio, Amazonas ingente, em face do Oceano, Defende o passo seu com indomável brio, Com força de gigante a bravejar insano!

Mas não cede o Titã, o grande rei dos mares, Que altivo se levanta em vagalhões possantes, E com fragor medonho, a rebramar nos ares, Impávido arremete as águas ululantes!

Bramindo retrocede o fluvial colosso; Invade-lhe o oceano o enorme, fundo leito; qual jaguar feroz vencendo horrível fosso, Derruba, arrasta o que lhe vem de encontro ao peito.

E rugem fúrias mil da luta no fragor Que os ecos a tremer vão longe reboar; Após, silêncio augusto: — o rio vencedor. Subjuga, humilha alfim, o soberano mar!

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