Cantar a Natureza, de Deus o Nome Santo num trono só de amor erguer em doce canto, quanto é consolador à alma do poeta, — alma singela e pura e triste qual violeta,
— flor deste val’ sombrio a que chamamos — mundo, pedindo sempre ao Céu do sol claro e fecundo da dúlcida esperança um raio protetor, pedindo da ventura o bafejar de amor,
e d’alegria doce o rocio benfazejo que a faça reviver à luz de um casto beijo, e sempre, sempre vendo o aroma derramado perder-se todo além sem ter ao Céu chegado!...
Cantar a Natureza... ah! quanto é belo e grato da inocência e do amor viver no doce trato!... Aves; flores; o Céu coberto d’ouro e rosas, ou todo, todo azul, em nuvens graciosas,
véus das virgens de Deus, — aqui e ali velado; ou, como de Maria o manto constelado, vê-lo, e depois, do luar no pálido clarão, deixando o olhar vagar na rútila amplidão,
sonhar — numa existência encantadora e calma, viver, adormecendo as fundas mágoas d’alma nesse mundo ideal, sublime da Poesia, crendo pelo amor à luz da fantasia...
Oh! quanto é grato e doce à alma do poeta, — alma singela e pura, e triste, qual violeta! Olhar o mar azul por sob as rendas finas da espuma que rebenta em cândidas boninas,
ou vê-lo da tormenta ao sopro aterrador tomar d’escuro crepe o fúnebre negror; ouvi-lo, nas manhãs serenas, purpuradas, na orla d’alva praia, em ondas namoradas,
de amores juvenis idílios murmurar, ou triste, ao pôr do sol, queixoso a suspirar as nênias da saudade; Oh! quanto é grato ao poeta, — alma singela e pura e triste qual violeta!
Montanhas que vestis a virginal roupagem da mata secular que nem a atroz passagem do vendaval destrói, nem o raio maltrata, vós que as fitas cingis dos veios cor de prata
que descem a entoar louvores ao Senhor, também vós o sabeis, quanto é consolador ao coração que sofre, ao coração do poeta, — alma singela e pura e triste qual Violeta —,
cantar a Natureza, de Deus o Santo Nome erguer num pedestal que o tempo não consome! Cantar a Natureza, de Deus o Nome Santo cantar... é ter esperança, embora corra o pranto!
Porque não morre a fé, não morre a crença pura d’alma que adora Deus, no templo da natura!
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