Estrela do poeta! Estrela dos amores!
Princesa d’Amplidão, do dia precursora,
vejo-te ao pôr do sol e d’alva nos palores,
n’aurora, sorridente, à tarde, cismadora.
Se aos lindos arrebóis d’aurora peregrina,
aljôfares derrama o Céu pelo jardim,
qual branco nenúfar, na água cristalina
resplendes, mais gentil que o cândido jasmim!
Um dia o sol no ocaso ardente descambava;
gemia terno canto o meigo sabiá;
da mata toda em flor, que aroma repassava
o ar que a noite pura amenizava já!
Soara — Ave-Maria —: ao Céu já sem fulgores,
ergui meu triste olhar, minh’alma ergui também;
Do Céu no manto azul, — estrela dos amores
como eras tu formosa, oh pálida cecém!
Meu triste coração chorava de saudades,
ao doce recordar de um tempo bem ditoso!
E de um bendito amor da mais santa amizade,
meu peito ressentia o puro extinto gozo!
Então não sei qu’encanto, ou que mistério doce
me fez no teu fulgor um lenitivo achar:
— a tua meiga luz brilhava — qual se fosse
de minha terna mãe o carinhoso olhar!...
E eu n’alma bem senti o influxo poderoso
daquele olhar de amor, que há tanto já não via!
Em lágrimas rolou meu pranto copioso
fazendo desbrochar os lírios da Poesia!
E assim te vejo sempre, — estrela dos amores,
estrela do poeta, ó flor do Céu mais linda!
e busco em tua luz conforto às minhas dores,
às mágoas de minh’alma, a esta saudade infinda!