Do ocaso arrebol pouco a pouco desmaia
A natureza dorme; é do silêncio a hora.
Marinha viração o mar sereno enflora
De espúmeas ondas que lhe vão morrer à praia.
Um véu de argêntea luz por Céus e terra espraia
O plenilúnio qual mimoso alvor de aurora;
De um penedo à sombra alva barquinha ancora,
E de saudade um canto o marinheiro ensaia.
Lá na amplidão azul a lua confidente
Dos noivados de Amor, pela noite silente
Derrama em doce luz os filtros da Poesia.
A alma sonhadora em cismas adormece
E da saudade a dor que os sonhos entristece
Repassa o coração de intensa nostalgia.