Crianças! se um dia no vosso caminho
Um velho encontrardes, tristonho, sozinho,
Ao peso curvado da idade e das dores,
Por ele passando, saudai respeitosos
O velho, — ruína de tempos ditosos
Coberta de neves, despida do flores.
Os passos que move, penosos e lentos,
Vos lembrem, crianças, que acerbos tormentos
Seu corpo suporta firmado, ao bordão;
Olhai compassivos, falai-lhe piedosos,
Que as meigas palavras dos peitos bondosos
Dão bálsamo às chagas d’inf’liz coração!
Crianças! — os velhos merecem respeito,
Talvez mais que aqueles que trazem ao peito
Ufanas, vaidosas, honrosas medalhas;
Heróis são aqueles que sofrem amarguras,
Que lutam, que vencem da vida as agruras;
E os velhos venceram bem cruas batalhas!
Que glória tão bela, que vida tão nobre
Às vezes s’escondem de um velho bem pobre
No grande, no puro, leal coração!
— Crianças, lembrai-vos que Deus abençoa
Aquele que nunca despreza, magoa
Ou zomba de triste, de fraco ancião!