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1854–1932

OS VELHOS

Delminda Silveira de Sousa

Crianças! se um dia no vosso caminho Um velho encontrardes, tristonho, sozinho, Ao peso curvado da idade e das dores, Por ele passando, saudai respeitosos

O velho, — ruína de tempos ditosos Coberta de neves, despida do flores. Os passos que move, penosos e lentos, Vos lembrem, crianças, que acerbos tormentos

Seu corpo suporta firmado, ao bordão; Olhai compassivos, falai-lhe piedosos, Que as meigas palavras dos peitos bondosos Dão bálsamo às chagas d’inf’liz coração!

Crianças! — os velhos merecem respeito, Talvez mais que aqueles que trazem ao peito Ufanas, vaidosas, honrosas medalhas; Heróis são aqueles que sofrem amarguras,

Que lutam, que vencem da vida as agruras; E os velhos venceram bem cruas batalhas! Que glória tão bela, que vida tão nobre Às vezes s’escondem de um velho bem pobre

No grande, no puro, leal coração! — Crianças, lembrai-vos que Deus abençoa Aquele que nunca despreza, magoa Ou zomba de triste, de fraco ancião!

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