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1854–1932

Os olhos de Alaíde

Delminda Silveira de Sousa

Tens olhos castanhos, formosa Alaíde, quem há que os olvide, tão lindos assim?

Embora alguém diga: — celestes não são; — eu provo-o, serão, divinos, por fim!

São tantos os anjos que a Virgem rodeiam, que em torno vagueiam do Sólio de Deus,

que, certo, algum deles, terá, graciosos, os olhos formosos da cor destes teus!

E eu creio, Alaíde, florinha singela, que o anjo que vela teus sonhos, oh! tem

os olhos brilhantes, castanhos, tão belos! e os lindos cabelos castanhos também!

E penso, querida, que à face mimosa da mãe amorosa que cinge-te ao peito,

também se assemelha o rosto peregrino do anjo divino que vela o teu leito!

Formosa Alaíde, teus olhos tão belos, teus lindos cabelos, são de anjo, são, sim!

Nem mesmo há quem diga não serem celestes uns olhos como estes tão lindos assim!

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