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1854–1932

O velho nauta

Delminda Silveira de Sousa

Soprava rijo do sul, o mar batia nas fragas, quando o vi, soltando às vagas, a leve barquinha azul.

Em bando fogem medrosas as níveas gaivotas belas qu’em véu de negras procelas se trocam nuvens mimosas.

E o velho nauta às rajadas, o branco pana desata; rebentam em velos de prata as altas vagas iradas!

Rugem as vagas...e, fundo, cava-se o abismo terrível! Murmura o nauta — “impossível!” fitando triste o profundo.

E ruge o trovão ferindo d’horrores o Céu pesado; no mar, d’espumas rendado, se abisma o raio, caindo!

Depois... torrentes, torrentes dos regaços da procela; depois, cintila uma estrela... e sopram auras trementes.

Mas... ah! que à praia chegando as ondas gemem de dor, medonhos transes de horror à branca areia contando!

Batel azul temerário, além no mar se perdera, e o pobre nauta envolvera da vaga o negro sudário!

E as ondas volvem gemendo e à praia morrem de dó, do pobre nauta trazendo despojos...despojos só!...

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