Soprava rijo do sul,
o mar batia nas fragas,
quando o vi, soltando às vagas,
a leve barquinha azul.
Em bando fogem medrosas
as níveas gaivotas belas
qu’em véu de negras procelas
se trocam nuvens mimosas.
E o velho nauta às rajadas,
o branco pana desata;
rebentam em velos de prata
as altas vagas iradas!
Rugem as vagas...e, fundo,
cava-se o abismo terrível!
Murmura o nauta — “impossível!”
fitando triste o profundo.
E ruge o trovão ferindo
d’horrores o Céu pesado;
no mar, d’espumas rendado,
se abisma o raio, caindo!
Depois... torrentes, torrentes
dos regaços da procela;
depois, cintila uma estrela...
e sopram auras trementes.
Mas... ah! que à praia chegando
as ondas gemem de dor,
medonhos transes de horror
à branca areia contando!
Batel azul temerário,
além no mar se perdera,
e o pobre nauta envolvera
da vaga o negro sudário!
E as ondas volvem gemendo
e à praia morrem de dó,
do pobre nauta trazendo
despojos...despojos só!...