De negro crepe, funeral cortina
se desdobra do azul sobre a pureza;
enluta-se do céu toda a beleza,
morre do sol a grata luz divina.
Lá, no Calvário, a multidão ferina,
de pavor, um momento fica presa;
silêncio!... trevas!... pasma a Natureza!
Jesus a fronte dolorida inclina.
“Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparas?...”
disse, e do fel as gotas mais amaras
molham-lhe a boca sequiosa, pura.
Então, erguendo os olhos ao Infinito,
“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”,
num suspiro final, terno murmura!