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1854–1932

O ÚLTIMO SUSPIRO

Delminda Silveira de Sousa

De negro crepe, funeral cortina se desdobra do azul sobre a pureza; enluta-se do céu toda a beleza, morre do sol a grata luz divina.

Lá, no Calvário, a multidão ferina, de pavor, um momento fica presa; silêncio!... trevas!... pasma a Natureza! Jesus a fronte dolorida inclina.

“Meu Deus, Meu Deus, por que me desamparas?...” disse, e do fel as gotas mais amaras molham-lhe a boca sequiosa, pura. Então, erguendo os olhos ao Infinito,

“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”, num suspiro final, terno murmura!

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