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1854–1932

O teu olhar

Delminda Silveira de Sousa

Oh, bálsamo de amor, clarão sereno de mística ternura derrama-te em minh’alma, — sol ameno que envolve a rosa pura!

Vaza-me todo o amor de que é repleto um coração ardente; Oh! traduz-me esse idílio por completo, — linguagem que não mente!

Doce e plácido olhar — luz de bonança tão cheio de fulgor, não me dás em teu raio uma esperança, mas és meu sol de amor!

Vem, no meu coração — flor do martírio — que se abre rubra e pura, Vem cair como orvalho sobre um lírio, — eflúvio de ternura!

Oh! Por ti que viver e morrer quero — doce e plácido olhar; — de ti, somente a dor, a morte espero, mas amo este penar!

Doce e plácido olhar, minh’alma beija, Como o sol beija a flor; eu sou o lírio que o teu raio almeja, tu és meu sol de amor!

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