Surges além, e o Céu se esmalta d’ouro,
e convertem-se as lágrimas da noite
em preciosas pedras rutilantes;
e de perlas derrama-se um tesouro
da brisa matinal ao brando açoite
sobre o tapiz dos campos verdejantes.
Desbrocham os botões das lindas flores,
aos almos beijos de tua luz criadora,
e a fragrância sutil do virgem seio
das boninas gentis de várias cores,
como grata homenagem sedutora
a ti s’evolam num constante anseio.
Desperta o bosque ao matinal encanto,
em ledos hinos, em murmúrios ternos,
em pipilar de amor puro, inocente;
e a tua luz num confortável manto
como em carinhos dúlcidos, maternos,
envolve os brandos ninhos docemente.
A flor desbrocha, os frutos madurecem,
e o pobre camponês para o trabalho
vai pelo campo, alegre, descuidado,
que os raios teus, ó sol, no berço aquecem
com salutar e tépido agasalho,
o filhinho que dorme desnudado.
Tu és da providência a imagem bela,
de luz, de força e vida, radiante,
nem o tempo te abate a majestade!
Se te escurece a nuvem da procela,
te revelas no Íris cambiante,
como emblema de paz na imensidade!
Tomba na mata o cedro agigantado,
desperta o raio secular rochedo,
todo o poder ao — nada — se reduz;
só tu campeias sobranceiro, ousado!
Guardas da Criação o almo segredo...
Oh! sol — jamais se apaga a tua luz!