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1854–1932

O sol

Delminda Silveira de Sousa

Surges além, e o Céu se esmalta d’ouro, e convertem-se as lágrimas da noite em preciosas pedras rutilantes; e de perlas derrama-se um tesouro

da brisa matinal ao brando açoite sobre o tapiz dos campos verdejantes. Desbrocham os botões das lindas flores, aos almos beijos de tua luz criadora,

e a fragrância sutil do virgem seio das boninas gentis de várias cores, como grata homenagem sedutora a ti s’evolam num constante anseio.

Desperta o bosque ao matinal encanto, em ledos hinos, em murmúrios ternos, em pipilar de amor puro, inocente; e a tua luz num confortável manto

como em carinhos dúlcidos, maternos, envolve os brandos ninhos docemente. A flor desbrocha, os frutos madurecem, e o pobre camponês para o trabalho

vai pelo campo, alegre, descuidado, que os raios teus, ó sol, no berço aquecem com salutar e tépido agasalho, o filhinho que dorme desnudado.

Tu és da providência a imagem bela, de luz, de força e vida, radiante, nem o tempo te abate a majestade! Se te escurece a nuvem da procela,

te revelas no Íris cambiante, como emblema de paz na imensidade! Tomba na mata o cedro agigantado, desperta o raio secular rochedo,

todo o poder ao — nada — se reduz; só tu campeias sobranceiro, ousado! Guardas da Criação o almo segredo... Oh! sol — jamais se apaga a tua luz!

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