Cantava ao morrer do dia,
Quando no vale pendia
O branco lírio gentil;
Quando no morno ambiente
Passava meiga, fremente
A brisa primaveril.
Cantava, e o canto subia,
Na sonorosa harmonia,
Além das matas em flor;
Subia, e, chegando aos Céus,
Ia morrer junto a Deus,
Como uma prece de amor!
E cada dia, a mesma hora,
Vinha aquela voz sonora
Despertar-me o coração;
E eu cantava com ela,
Na prece mais pura e bela,
A vesperal saudação.
Cantava, e o canto subia,
Na sonorosa harmonia,
Além das matas em flor;
Subia... e, chegando aos Céus,
Ia morrer junto a Deus,
Como uma prece de amor!
Depois, quando o sabiá
Calava, e, voando, já,
Na mata desparecia,
A minh’alma arrebatada
Cantava ainda, enlevada,
As notas d’ — Ave-Maria!