A perla brilhante
que a concha formosa
dos mares, vaidosa,
no seio ocultou,
não tem os encantos
da lágrima pura
que a doce ternura
de virgem formou.
A límpida gota
que a noite sentida
lá deixou escondida
no seio da flor,
não tem a poesia
da lágrima bela
que verte a donzela
no sonho de amor.
Aljôfar mimoso
de brilho sem par
no rico colar
da noiva risonha
não tem a beleza
da perla que oscila
na triste pupila
da órfã tristonha.
O pranto da virgem
é puro, é sagrado
qual hino entoado
bem perto de Deus.
É grato perfume
de meiga violeta
que a brisa faceta
derrama nos Céus!