Possuidor dum ninho d’andorinhas
Um petiz amimado,
A liberdade quer, obstinado,
Dar às tenras implumes avezinhas.
— “Sede livres! — voai c’os livres de universo!” —
Disse, — e o ninho disperso
Nos ares foi. — Maravilhados,
Pelo primeiro adejo, os pobrezinhos
Ensaiam outro e outro; entanto, oh, desgraçados!
Ao terceiro naufragam, malogrados!
Na queda, um s’esmigalha; outro morre de fome;
O gato do vizinho um outro come,
De modo que a ninhada
Ficou aniquilada!
“Ao tempo, tempo demos” — é uma gran ciência,
Que, cedo, os homens devem aprender;
Quantas vezes, por uma impaciência
Cousas preciosas não se viu perder!
Uma palavra só, com eloquência,
Sobre o assunto tudo vai dizer:
— Aves, foram criadas p’ra voar;
Mas é preciso as penas esperar!