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1854–1932

O ninho de andorinhas

Delminda Silveira de Sousa

Possuidor dum ninho d’andorinhas Um petiz amimado, A liberdade quer, obstinado, Dar às tenras implumes avezinhas.

— “Sede livres! — voai c’os livres de universo!” — Disse, — e o ninho disperso Nos ares foi. — Maravilhados, Pelo primeiro adejo, os pobrezinhos

Ensaiam outro e outro; entanto, oh, desgraçados! Ao terceiro naufragam, malogrados! Na queda, um s’esmigalha; outro morre de fome; O gato do vizinho um outro come,

De modo que a ninhada Ficou aniquilada! “Ao tempo, tempo demos” — é uma gran ciência, Que, cedo, os homens devem aprender;

Quantas vezes, por uma impaciência Cousas preciosas não se viu perder! Uma palavra só, com eloquência, Sobre o assunto tudo vai dizer:

— Aves, foram criadas p’ra voar; Mas é preciso as penas esperar!

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