Ah! tudo o qu’eu sonhei na doce primavera
do meu viver feliz, foi tudo uma ilusão!
julgava ser amada... Oh! dúlcida quimera!
pensava amar também... e não amava... Oh! não!
Julgara amar porque, no meu sonhar tão doce,
pensava ter achado a vida do meu ser;
— uma alma irmã da minha —, um anjo que me fosse
amparo e guia meu na senda do viver!
Ah! pobre coração!... ai Tântalo sedento
ouvindo o murmurar d’arroio fugidio!
Embalde o desejaste... embalde! o teu tormento
só tenhas num deserto extenso, árido e frio!...
Que resta ao viajor perdido, fatigado,
na triste solidão, sem norte, sem ventura
ter sequer um dia, uma hora descansado
em oásis gazil de flores e verdura?
Ai! tudo o qu’eu sonhei na doce primavera
do meu viver feliz — foi tudo uma ilusão!
Amor — suave engano! Oh! dúlcida quimera!
Julguei-te a flor do Céu, tu foste a ingratidão!