Como é triste o marinheiro
Lutando com o bravo mar,
Sofrendo porque não pode
O seu navio salvar!
Vendo o mar forte e medonho
Ao ribombar do trovão,
Roga a Deus misericórdia,
Pede aos Céus a salvação.
Ouvindo o bramir das vagas
Ao mais horrível tufão,
No convés, o forte herói
Faz a Deus esta oração:
“Lá em terra, meus filhinhos
Pedem a minha proteção;
De joelhos vos imploro
Dai-me, ó Deus, a salvação!
Minha mãe, pobre velhinha
Que no seu leito agoniza
E sem ter nenhum carinho...
De seu filho ela precisa...
Se eu morrer, triste viúva
Lutar há de em negra sorte...
Oh! Senhor! Senhor! Livrai-me
De tão triste e dura morte!...”
Quando, alfim, a meiga aurora
Começou, linda a raiar,
Um cadáver, sobre as águas,
Veio à branca praia dar.
Era do pobre marujo
O corpo desfigurado,
Que o mar sonhando trazia
Da esposa ao seio enlutado.
Pobre mãe! Pobres filhinhos,
Pobre esposa entristecida!
Perdestes o forte arrimo,
Doce amor da vossa vida!
Quando, à noite, meiga lua
O mar sereno pratear,
Ou quando negra procela
De crepe as águas velar,
Sobre a praia que o sepulta,
Ide, saudosos, chorar!