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1854–1932

O MARINHEIRO

Delminda Silveira de Sousa

Como é triste o marinheiro Lutando com o bravo mar, Sofrendo porque não pode O seu navio salvar!

Vendo o mar forte e medonho Ao ribombar do trovão, Roga a Deus misericórdia, Pede aos Céus a salvação.

Ouvindo o bramir das vagas Ao mais horrível tufão, No convés, o forte herói Faz a Deus esta oração:

“Lá em terra, meus filhinhos Pedem a minha proteção; De joelhos vos imploro Dai-me, ó Deus, a salvação!

Minha mãe, pobre velhinha Que no seu leito agoniza E sem ter nenhum carinho... De seu filho ela precisa...

Se eu morrer, triste viúva Lutar há de em negra sorte... Oh! Senhor! Senhor! Livrai-me De tão triste e dura morte!...”

Quando, alfim, a meiga aurora Começou, linda a raiar, Um cadáver, sobre as águas, Veio à branca praia dar.

Era do pobre marujo O corpo desfigurado, Que o mar sonhando trazia Da esposa ao seio enlutado.

Pobre mãe! Pobres filhinhos, Pobre esposa entristecida! Perdestes o forte arrimo, Doce amor da vossa vida!

Quando, à noite, meiga lua O mar sereno pratear, Ou quando negra procela De crepe as águas velar,

Sobre a praia que o sepulta, Ide, saudosos, chorar!

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