Amo-te, mar, oh! quando em tuas águas quedas os roxos lírios, as purpúreas rosas das belas tardes, das auroras ledas retratas em suas cores primorosas.
Quando tuas ondas mansas, docemente, vêm segredos contar à branca areia, a essa hora mística, silente, em que no Céu desponta a lua cheia.
Amo-te, oh! mar! — se o lindo firmamento recamado d’estrelas peregrinas, mostras radiante no polido argênteo de tuas águas puras, cristalinas.
E quando o sol derrama ao meio-dia pródiga luz sobre o teu manto ondeante, amo cada onda tua que irradia como uma flor de rútilo diamante!
Mas, ah, — se a meiga, fulgurosa onda da tempestade ao sopro se revolta, e do batel a âncora que sonda a profundeza tua, arrasta, solta...
Temo-te, oh! mar! — e de te ver irado e ouvir o teu rugir feroz, medonho, no pensamento eu tenho desenhado horrível quadro de lutuoso sonho!
Penso no rude marinheiro pobre, — triste marujo que o batel levou; — penso na choça que a palmeira cobre, penso naquele que o temor gelou...
A triste esposa que na praia extensa, ao vir da noite, o pescador espera, e vendo, oh! mar, tua negrura densa, sente as angústias que o receio gera...
O pequenino, carinhoso filho que tens nos braços, da tormenta após, e olha, chorando, da ardentia o brilho, Treme se passa uma alcion veloz...
Ai! quanta angústia nestas pobres almas! que tristes prantos destes seios vêm!... Meu Deus! Meu Deus! — as belas noites calmas, que doce encanto, que poesia têm!...
Mas, tu, oh! mar, em vão feroz bravejas, soberbo alteias tuas doidas vagas! — Leão de jubas ondeantes sejas de manso velo a cabritar nas fragas:...
Em vão! — que a Onipotência a branca praia por limite marcou-te, e, nesse leito, quebram tuas vagas; lá, na estreita raia ao Supremo Poder rendes um preito!
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