Nas matas da minha terra.
Canta alegre o gaturamo,
Voando de ramo em ramo,
Pousando de serra em serra.
Gorjeia o canto mimoso,
Quando o sol nascendo vem;
Gorjeia à tarde também,
Mais terno, mais carinhoso.
Nas matas da minha terra,
Em cada manhã dourada,
Com a mesma doce toada,
Revoa de serra em serra.
Um pequeno sertanejo
Que não conhece a escola,
Arma-lhe um dia a gaiola,
Com traiçoeiro manejo.
E o gaturamo inocente,
Pousando nas finas varas,
Nessa prisão de taquaras
Vai cair incontinenti.
Depois, quando o sol fagueiro,
Desponta cheio de encanto,
Oh! como é tristonho o canto
Do pobre prisioneiro!