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1854–1932

O anjo da guarda

Delminda Silveira de Sousa

Noite d’inverno, límpida e formosa, lá fora, o frio, o orvalho congelado, noturno vento a suspirar magoado, na solidão, endecha dolorosa.

Do pobre na mansarda silenciosa, dorme, no berço, o filho desnudado; o luar, pelas fendas do telhado, beija-lhe a face pálida, mimosa.

Cai o gélido sopro da desoras... o pobrezinho, nestas mortas horas, geme aos açoites d’hibernal rigor. Mas o beijo que as lágrimas sorveu

nos seus lábios gelados, quem lho deu?... — O anjo da guarda, — o maternal amor!.

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