Noite d’inverno, límpida e formosa,
lá fora, o frio, o orvalho congelado,
noturno vento a suspirar magoado,
na solidão, endecha dolorosa.
Do pobre na mansarda silenciosa,
dorme, no berço, o filho desnudado;
o luar, pelas fendas do telhado,
beija-lhe a face pálida, mimosa.
Cai o gélido sopro da desoras...
o pobrezinho, nestas mortas horas,
geme aos açoites d’hibernal rigor.
Mas o beijo que as lágrimas sorveu
nos seus lábios gelados, quem lho deu?...
— O anjo da guarda, — o maternal amor!.