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1854–1932

Nuvem dourada

Delminda Silveira de Sousa

Nuvem dourada que no Céu d’aurora, brandamente deslizas, é o arrufo das brisas ou o sopro de Deus que t’evapora?

Serena espuma d’ouro que te amplias como um véu de princesa na luz do sol acesa, lavras no azul mimosas fantasias.

Linda nuvem dourada, onde nascente, cortina primorosa do berço cor-de-rosa de uma aurora gentil te desprendeste?

Por que desmaias, áurea nuvem bela, ai! por que t’evaporas? E choras, nuvem choras, vertendo orvalhos sobre a flor singela!

Ai! nuvem d’ouro! — no meu céu de outrora formoso, sorridente, também passou, fulgente, linda nuvem serena, encantadora!

Depois, na cor mimosa esmorecendo, seu brilho esvaeceu, e plúmbeo, triste véu foi-se em gotas amargas desfazendo.

— Era a minha ilusão! nuvem mentida lindo sonho dourando, desfaz-se, rorejando de lágrimas a flor da minha vida!...

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