Nuvem dourada que no Céu d’aurora,
brandamente deslizas,
é o arrufo das brisas
ou o sopro de Deus que t’evapora?
Serena espuma d’ouro que te amplias
como um véu de princesa
na luz do sol acesa,
lavras no azul mimosas fantasias.
Linda nuvem dourada, onde nascente,
cortina primorosa
do berço cor-de-rosa
de uma aurora gentil te desprendeste?
Por que desmaias, áurea nuvem bela,
ai! por que t’evaporas?
E choras, nuvem choras,
vertendo orvalhos sobre a flor singela!
Ai! nuvem d’ouro! — no meu céu de outrora
formoso, sorridente,
também passou, fulgente,
linda nuvem serena, encantadora!
Depois, na cor mimosa esmorecendo,
seu brilho esvaeceu,
e plúmbeo, triste véu
foi-se em gotas amargas desfazendo.
— Era a minha ilusão! nuvem mentida
lindo sonho dourando,
desfaz-se, rorejando
de lágrimas a flor da minha vida!...