Lá vem rompendo a lua, além, no serro escuro,
suavíssimo clarão, formosa, derramando;
recende de jasmins o ar sereno e puro,
um descante de amor nas águas vai passando.
À flor do lago azul, as brancas nenúfares
estendem docemente as pétalas gentis;
repousa o sabiá na coma dos palmares,
fulgura o lança-luz dos campos no tapiz.
Ao plácido luar, as ondas rumorosas
espalham frisos d’ouro em nítido cristal;
do doce murmurar das brisas carinhosas,
desperta a juriti nas moitas do rosal.
Quanto é risonho e belo o quadro esplendoroso
das noites de luar — enlevo dos amores!
— O Céu mandando à terra um beijo fulguroso,
— a terra ao Céu mandando o incenso de mil flores!
Oh! noites de luar mais belas do que o dia!
Suave azul do Céu, astros, flores, amor!
Feliz quem vos escuta a dúlcida harmonia!
Feliz de quem em vós adora um Criador!