Vai a noite linda, semeando estrelas, Num azul profundo, pelo firmamento; Há mistérios santos nos fulgores delas, Há segredos puros no rumor do vento.
Açucenas brancas, derramai perfumes... Que luar estranho... que luar bendito! Vagam pelos campos cintilantes lumes, Descem pelo espaço vozes do Infinito.
Murmurantes águas ao cair na fonte Um poema cantam d’inocência e amor; Pelas rudes choças desde o valo ao monte, Não s’escuta frauta de gazil pastor.
Como a noite é bela! Como a noite é fria... Rumoreja o vento, pelas altas comas. Há nos céus, na terra mística harmonia, Sobe o doce incenso d’espirais d’aromas.
Ovelhinhas mansas pelo val perdidas, Ovelhinhas mansas, não vos afasteis! O pastor vos chama: vinde, reunidas, No redil amigo todas dormireis.
Vai a noite em meio... que fulgor estranho! Lá na herdade o galo, já desperto, canta; Ovelhinhas mansas do feliz rebanho, Há no vosso aprisco claridade tanta!...
Sobre a manjedoura, do maduro trigo Como as secas palhas resplandecem belas!... Que mimoso infante foi buscar abrigo Entre as ovelhinhas, lá no poiso delas!...
Como a noite é bela! Rumoreja o vento... Terna Mãe formosa, como a noite é fria!... Nesse manto lindo como o firmamento Teu filhinho envolve ’té que venha o dia.
“Glória nas Alturas! Glória a Deus Senhor! Paz na terra aos homens de boa vontade!” Cantam em coro os anjos pelo val em flor, Cantam em coro os anjos pela imensidade.
Com eles cantando, pastorinhas, vamos Ao presépio lindo — todo aroma e luz; “Glória a Deus n’Altura, nós também cantamos, Paz na terra aos homens que nasceu Jesus!”
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