Sorrindo esmoreceu, como a bonina
que ao vir da noite as pétalas retrai;
cerram-se os olhos, langue a fronte cai
e ela adormece pálida e serena!
Minh’alma imersa em cruciante pena,
como que sente a vida arrebatar-se,
e voa ao Céu, buscando consolar-se,
e volve à terra para vê-la ainda.
Leve sorriso, placidez infinda
na face a fria morte lhe desenha;
embora a gelidez da neve tenha,
é bela assim como a visão de um anjo!
Eu, triste, olhei-a... e a desventura abranjo
no peito em que vibrara a dor mais forte
o despiedoso e pungitivo corte
que d’outro um coração terno separa!
Ai! só me resta esta lembrança amara!
Esta saudade que no Céu floresce;
memórias de um amor que não esquece
minh’alma triste em cismas dolorosas!
Chorai, ó belas tardes carinhosas
sobre o mármor do leito em que descansa
— pálido lírio de fanada esperança —
a branca virgem irmã das açucenas!
E quando em horas límpidas, serenas,
desmaiado luar brincar nos Céus,
vós, meigas auras que passais amenas,
levai-lhe esta saudade — os cantos meus!