— Vamos, o Coração disse-me um dia,
de flores é o mar das Esperanças,
solta-me, irei por essas águas mansas
à região dos Sonhos, da Poesia.
Soltei-o: e bem feliz o conduzia
sem cogitar de súbitas mudanças;
sem ter saudades, sem levar lembranças
de melhor tempo, nem doutra alegria.
— Vagar! Vagar! — as ondas murmuravam;
lindas alcíones pelo ar passavam;
E todo Céu de rosas se enflorou.
Mas, súbito, escurece... ruge a vaga...
E bem distante da risonha plaga
O meu barquinho frágil naufragou!