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1854–1932

Não sei!

Delminda Silveira de Sousa

Onde estás, onde estás, minha ventura, amor que eu sonho, amor que em vão procuro, deste viver cansado — oásis puro —, serás um ideal, um sonho apenas?

Toda a existência a delirar de anelos, uma alma crente a se finar d’esperanças, e, embalde, embalde! — só cruéis lembranças... nem uma rosa nos rosais da vida!

E eu quero amar...quero expandir profuso todo este amor que geme no meu peito, como a linfa represa em curto leito, como a íntima dor que não tem prantos!

Sim; quero amar, porém, n’outra alma pura quero ver doce amor gêmeo do meu, como vejo no lago um outro Céu, como vejo no Céu a cor das flores!

Ah! — por que vem do sol réstia amorosa partir, num beijo, virginal cecém, e do pródigo Céu por que não vem luz carinhosa que me aclare a vida?...

Sorve a violeta a gota do sereno, e sorri grata, perfumando a noite; — Ai! como ela eu seria, si o açoite de um destino cruel me não ferisse!...

Bem vejo a borboleta sequiosa fartar-se em doce mel de finas taças: — por que só a minh’alma das desgraças encontra o fel amargo em cada esperança?...

— Não sei!... Não sei, meu Deus, si est’alma pede as venturas do Céu aqui na terra, ou se o teu grande amor me não concede esta ventura que amor só encerra!

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