Onde estás, onde estás, minha ventura,
amor que eu sonho, amor que em vão procuro,
deste viver cansado — oásis puro —,
serás um ideal, um sonho apenas?
Toda a existência a delirar de anelos,
uma alma crente a se finar d’esperanças,
e, embalde, embalde! — só cruéis lembranças...
nem uma rosa nos rosais da vida!
E eu quero amar...quero expandir profuso
todo este amor que geme no meu peito,
como a linfa represa em curto leito,
como a íntima dor que não tem prantos!
Sim; quero amar, porém, n’outra alma pura
quero ver doce amor gêmeo do meu,
como vejo no lago um outro Céu,
como vejo no Céu a cor das flores!
Ah! — por que vem do sol réstia amorosa
partir, num beijo, virginal cecém,
e do pródigo Céu por que não vem
luz carinhosa que me aclare a vida?...
Sorve a violeta a gota do sereno,
e sorri grata, perfumando a noite;
— Ai! como ela eu seria, si o açoite
de um destino cruel me não ferisse!...
Bem vejo a borboleta sequiosa
fartar-se em doce mel de finas taças:
— por que só a minh’alma das desgraças
encontra o fel amargo em cada esperança?...
— Não sei!... Não sei, meu Deus, si est’alma pede
as venturas do Céu aqui na terra,
ou se o teu grande amor me não concede
esta ventura que amor só encerra!