Virgem! Oh! triste Mãe! — a dor incomparável,
que n’alma te vazou o fel das amarguras,
não pode o perceber d’humanas criaturas
ao fundo perscrutar o pélago insondável!
Ele! — O teu Santo Amor, teu Deus, teu filho caro,
pendente de uma Cruz, aflito, angustiado;
depois... agonizante: agora sepultado,
e tu nesta aflição! tu neste desamparo!...
Enquanto dessa Cruz descia o olhar piedoso,
qual bálsamo de amor à tua angústia imensa,
a lança da aflição não ia tão intensa
ferir-te o Coração materno, carinhoso!
Oh! Virgem Dolorosa! — Angélica bonina
qu’entre abrolhos cruéis o seio laceraste,
— que lágrimas de fel tão d’alma derramaste
para um mundo salvar da universal ruína!
Oh! brandos corações das ternas mães aflitas,
Oh! puro e doce amor dos dúlcidos amores,
daquela Dor cruel, qu’excede as outras dores,
dizei-me o delirar, as mágoas infinitas!...
Porém... Oh! Santa Mãe! — da Dor incomparável
que n’alma te vazou o fel das amarguras,
quem poderá dizer as místicas ternuras?...
Quem poderá sondar o pélago insondável?!