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1854–1932

Na soledade

Delminda Silveira de Sousa

Virgem! Oh! triste Mãe! — a dor incomparável, que n’alma te vazou o fel das amarguras, não pode o perceber d’humanas criaturas ao fundo perscrutar o pélago insondável!

Ele! — O teu Santo Amor, teu Deus, teu filho caro, pendente de uma Cruz, aflito, angustiado; depois... agonizante: agora sepultado, e tu nesta aflição! tu neste desamparo!...

Enquanto dessa Cruz descia o olhar piedoso, qual bálsamo de amor à tua angústia imensa, a lança da aflição não ia tão intensa ferir-te o Coração materno, carinhoso!

Oh! Virgem Dolorosa! — Angélica bonina qu’entre abrolhos cruéis o seio laceraste, — que lágrimas de fel tão d’alma derramaste para um mundo salvar da universal ruína!

Oh! brandos corações das ternas mães aflitas, Oh! puro e doce amor dos dúlcidos amores, daquela Dor cruel, qu’excede as outras dores, dizei-me o delirar, as mágoas infinitas!...

Porém... Oh! Santa Mãe! — da Dor incomparável que n’alma te vazou o fel das amarguras, quem poderá dizer as místicas ternuras?... Quem poderá sondar o pélago insondável?!

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