Meiga violeta por que pendes triste
entre as mais flores do jardim virente?
Acaso o orvalho que sedenta hauriste
gelou-te o seio neste amor fervente?!
E o doce aroma que o teu seio encerra,
alma mimosa d’inocente flor,
por que a derramas pela fria terra
qual terno pranto d’inditoso amor?!
Ai! ninguém sabe que mistério fundo
faz que te escondas nesta sombra densa!...
— Talvez a mágoa dum sofrer profundo,
talvez um sonho de mentida crença!
Rola das selvas a gemer sentida,
quem magoou-te o coração tão puro?...
Pobre avezinha! Tua voz dorida
triste perdeu-se num deserto escuro!...
Aves canoras qu’esqueceis os cantos,
lindas boninas que perdeis a cor,
— qual o segredo de pesares tantos?
— qual o mistério de tão agra dor?...
Ai! ninguém sabe por que pende o lírio,
E por que as aves emudecem assim,
Qu’estes segredos de fatais mistérios
só Deus conhece, só nos Céus têm fim!
Ai! ninguém sabe por que morrem flores,
E por que a rola na soidão suspira!
Ai! ninguém sabe por que acerbas dores
Rebentam cordas de mimosa lira!...