Transmonta o sol, ameiga-se a natura,
suspira a viração doce quebranto,
e no flóreo matiz da brenha escura
desata o sabiá mais terno canto.
Curva a fronte gentil sob a folhagem
a violeta mimosa das campinas,
e o orvalho sutil sobre a ramagem
tomba do Céu em perlas cristalinas.
Já solta a coma d’ouro perfumada
a branca flor do cactus, formosa;
no retiro da mata, abandonada,
geme triste a rolinha suspirosa.
Nas noites serenas, de azul firmamento,
sonhando ao relento meus sonhos de amor,
eu leio o teu nome formado d’estrelas
em letras mais belas que em fino lavor!
Eu sou a florinha que vive isolada,
sem luz, desmaiada, no meio d’espinhos;
teu nome é a réstia de sol, carinhosa,
que a beija amorosa com terno carinho!
Eu leio o teu nome na onda saudosa,
nas pétalas da rosa que o sol aqueceu;
nos ais de meu peito que a mágoa consome,
eu leio o teu nome... na terra e no Céu!