Skip to content
1854–1932

Meu retrato

Delminda Silveira de Sousa

Meu retrato é a violeta no ermo vale pendida, como a virge’entristecida a duro martírio afeita.

Quando a vires no vergel das outras flores em meio, colhe-a, guarda-a no teu seio, que é meu retrato fiel.

Meu retrato é a rola meiga gemendo na selva umbrosa; é a brisa suspirosa passando triste na veiga.

Quando ouvires seus gemidos nas brenhas da solidão, escuta os ais doloridos de meu triste coração.

Meu retrato é a saudade de puro rocio banhada, meiga flor desabrochada à luz serena da tarde.

Quando a vires, meiga e pura, curvada a face mimosa, lembra alguém que suspirosa curva a fronte de amargura.

Meu retrato é a lua triste vagando no azul sem fim; singelo, branco jasmim que ao vendaval não resiste.

Contempla a lua serena afaga o branco jasmim pois que pálidas assim são a imagem de quem pena.

E no teu peito, mais vivo, se me amas com ardor, tu verás, ó meu amor, o meu retrato cativo!

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
Meu retrato · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove