Mentiu-me a brisa que a medo
Falava dentre o arvoredo
À doce luz do luar:
Mentiu-me a onda que vinha
Trazer-me a rósea conchinha
Nascida no fundo do mar
Mentiu-me a rola mimosa
Na terna voz carinhosa
Cheia d’afagos de amor
Mentiu-me aroma das flores,
a lua nos seus palores
a estrela — nos seus fulgores.
Mentiu da noite a Poesia
Naquela grata harmonia
Que a doce fé nos ensina;
Mentiu do sonho a ilusão,
Mentiu de amor a canção.
E tu mentiste, Francina!
Mas si também o meu canto
Dizendo que amor teu pranto
Enxugara — foi mentira;
perdoa, ó triste Francina
aquela canção mofina
à minha inditosa lira!