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1854–1932

MENTIRA

Delminda Silveira de Sousa

Mentiu-me a brisa que a medo Falava dentre o arvoredo À doce luz do luar: Mentiu-me a onda que vinha

Trazer-me a rósea conchinha Nascida no fundo do mar Mentiu-me a rola mimosa Na terna voz carinhosa

Cheia d’afagos de amor Mentiu-me aroma das flores, a lua nos seus palores a estrela — nos seus fulgores.

Mentiu da noite a Poesia Naquela grata harmonia Que a doce fé nos ensina; Mentiu do sonho a ilusão,

Mentiu de amor a canção. E tu mentiste, Francina! Mas si também o meu canto Dizendo que amor teu pranto

Enxugara — foi mentira; perdoa, ó triste Francina aquela canção mofina à minha inditosa lira!

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MENTIRA · Delminda Silveira de Sousa · Poetry Cove