Há quantos séculos já, plácida, airosa,
esta lua, esta mesma, peregrina,
por estes bosques, prados e colina
não estende o seu véu de luz mimosa!
E ainda, quantas vezes, tão saudosa
a vagar pela abóbada azulina,
a serra, o vale e a fonte cristalina
hão de assim vê-la, pálida e formosa!
Passam as gerações, passam-se as eras,
nascem, morrem, revivem primaveras,
vêm e vão-se o estio, outono o inverno.
E prossegue em seu curso a Natureza
atestando em prodígios de beleza
o grão poder de um Ser divino, eterno!