Vejo este mar profundo e majestoso,
Ora sereno, ora embravecido,
Ora lambendo a praia, carinhoso,
Ora a cuspir-lhe a espuma enraivecido.
Ouço-lhe as vagas em feroz bramido,
Ouço-lhe as ondas em rumor queixoso,
E nele vejo o céu d’azul vestido,
Ou da procela o manto lutuoso.
E, vendo-o, cismo, e recolhida, penso:
— Oh, como se assemelha ao mar imenso
Este outro mar a que chamo — vida!
E parece-me ver a Mão divina
Que nos sustenta, nos aponta e ensina
O porto onde a Esperança tem guarida!