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1854–1932

Meditando

Delminda Silveira de Sousa

Vejo este mar profundo e majestoso, Ora, sereno, ora, embravecido, Ora lambendo a praia, carinhoso, Ora a cuspir-lhe a espuma enraivecido;

Ouço-lhe as vagas em feroz bramido, Ouço-lhe as ondas em rumor queixoso, E nele vejo o Céu de azul vestido Ou da procela o manto lutuoso;

E, vendo-o, cismo, e recolhida penso: — Oh! como se assemelha ao mar imenso Esse outro mar a que chamamos vida!... E parece-me ver a Mão divina

Que nos sustenta, nos aponta e ensina O porto onde a Esperança tem guarida.

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