Vejo este mar profundo e majestoso,
Ora, sereno, ora, embravecido,
Ora lambendo a praia, carinhoso,
Ora a cuspir-lhe a espuma enraivecido;
Ouço-lhe as vagas em feroz bramido,
Ouço-lhe as ondas em rumor queixoso,
E nele vejo o Céu de azul vestido
Ou da procela o manto lutuoso;
E, vendo-o, cismo, e recolhida penso:
— Oh! como se assemelha ao mar imenso
Esse outro mar a que chamamos vida!...
E parece-me ver a Mão divina
Que nos sustenta, nos aponta e ensina
O porto onde a Esperança tem guarida.