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1854–1932

Maio

Delminda Silveira de Sousa

Alvas de Maio! Alvas de amores, abrem nos campos mais lindas flores, abrem violetas nos meus canteiros: de ouro e rosas um véu qu’esplende

a aurora estende pelos outeiros. Rico tesouro de perlas finas — gemas brilhantes entre boninas,

todo disperso pela verdura: de cada lírio brilha no meio do branco seio lágrima pura.

Dentro do bosque, à sombra grata, em sonorosos fios de prata cai dos rochedos a água do monte; e os passarinhos fogem cantando,

voam, pousando junto da fonte. Há tantas rosas, tantos aromas! Tão florescidas as verdes comas,

nos lindos dias do mês de Maio! Perlas e flores o Céu derrama na tenra grama de verde-gaio!

Mês dos amores, de graça infinda, Mês consagrado à Virgem linda! Há no Universo mais expansões; Abre-se em flores toda a Natura,

há mais ternura nos corações! Tardes de Maio! Tardes serenas! Que doce aroma das açucenas,

do Sol no ocaso à linda hora! Nas meigas liras cantai, poetas... as violetas pendem agora!

Cantai as rosas qu’espalha o vento, cantai os sonhos que, num momento, rigor das fadas desfaz também! Cantai as ondas que suspirosas,

meigas, saudosas, à praia vêm. Cantai o aroma que o ar satura, d’água a corrente serena e pura,

dos passarinhos o doce canto; deixai a meiga, terna saudade que o peito invade com mágoa e encanto!

Ouvi segredos à brisa mansa; ouvi da rola que a amar não cansa terno lamento de amor perdido... Chorai com ela doce passado,

— Sonho doirado — logo esvaído! Quanto és formoso, ó mês das rosas, mês das auroras frescas, mimosas,

das lindas tardes de mor primor! Mês consagrado à Virgem bela, dos Céus — Estrela da terra amor.

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