Canto primeiro que modula o infante,
nota sublime de bendita esperança,
suspiro meigo de pombinha mansa,
lago sereno a retratar o Céu.
Mãe! quando a tarde desdobrando o véu,
vai sobre a terra derramando encantos,
à doce hora dos enlevos santos,
quando entre aromas a florinha cresce.
Desce à morada das alturas, desce
grata saudade ao coração magoado,
e a tua imagem vem do Céu dourado...
se já na terra não existes meiga.
Tu és o lírio que perfuma a veiga,
a luz mimosa do sorrir d’aurora,
oh! doce imagem que o Universo adora,
bálsamo santo para as chagas d’alma!
Tu és a coroa de virgínea palma,
tu és o aroma qu’embalsama o altar;
o riso meigo que nos prende ao lar,
celeste bênção que o prazer derrama!
Tu és o estro que a minh’alma inflama
Quando a tu’alma em cada flor divisa,
Quando te escuta no gemer da brisa,
E o olhar te adoro no fulgir da estrela!
Oh! desce, desce, carinhosa e bela,
vem da saudade acalentar-me os ais!
— Quero beijar-te em cada flor singela...
já que na terra não existes mais!.