De muito longe vêm colhendo amores
a primavera os viu por verdes prados;
depois, de doces frutos carregados
vinham os braços que trouxeram flores.
Agora o sol se põe: os esplendores
vão-se apagando em flóculos nevados;
mas os seus corações bem conchegados
não sentem vir hibérnicos rigores.
Gratas recordações d’almo passado
abrem o cofre pelo Amor selado
onde rebrilha o mágico tesouro.
E dum gozo ideal, então, repleto,
entre filhos e netos e bisnetos
eles celebram suas bodas de ouro.