Ribomba um hino de festa
desde o Palácio à senzala
acorda a virgem floresta
à voz que a nova propala!
Lá onde o escravo gemia,
aonde o pranto escondia
nas trevas da solidão,
como uma luz peregrina,
como uma aurora divina,
assomou a redenção!
Quantos soluços trocados
nos risos sãos d’alegria!
Quantos e quantos cuidados
destruídos num só dia!...
Eis a luz consoladora...
Eis, alfim, a meiga aurora
que o sonho horrendo desfez!
Eis o Brasil radiante
como um herói triunfante,
mil grilhões calcando aos pés!
Sobre o solo abençoado
em que ergueu Cabral a Cruz,
brilha agora desfraldado
o estandarte da luz!
Hosana à Pátria de bravos
que preconceitos ignavos
p’ra sempre altiva extirpou!
Exulte o brasílio povo,
que a Liberdade de novo
da pátria o solo beijou!
Que o Céu nas lúcidas galas,
que a onda beijando areia,
que a brisa em dúlcidas falas
cantem a grande epopeia!
Salve, salve, ó Pátria minha!
Ergue a fronte de rainha,
de luz e louros c’roada,
que a tua nobre vitória
honra a ínclita memória
de Rio Branco e de Andrada!