Qual índio possante, senhor da floresta,
Que livre nascera, na Terra da Cruz,
A fronte pendida, à hora da sesta
Sonhava o Brasil um sonho de luz.
— Sou livre, pensava, sou bravo, sou forte,
Qual rei da floresta terei majestade:
Cadeias d’escravo, que o fraco suporte;
Eu quero esposar-te gentil Liberdade.
E via, num sólio de gemas formado,
No meio de louros e raios de luz,
A Virgem formosa que havia sonhado
Cobrindo de flores a Terra Cruz.
No Céu peregrino brilhava o Cruzeiro
Que é símbolo bendito de Amor e de Fé,
Desperta o colosso, qual índio guerreiro
Que ouvisse nas matas o som do Boré.
De folhas virentes teceu a bandeira;
Do sol fulgurante co’os raios dourou-a,
Depois, — Soberana gentil brasileira,
Erguendo-a, formosa, num beijo sagrou-a.
Curvando o joelho no solo ubertoso
Fitou-a enlevado... fitou-a a tremer;
E pelo Cruzeiro, no Céu, radioso
Julgou de por ela — ser livre ou morrer!
Cantaram as aves um hino de glória,
Cantaram-no as ondas e a brisa sutil
E os ecos repetem a grande vitória
Do bravo colosso, do forte Brasil!
Saudemos a Pátria, num hino fervente
Que as glórias dum povo brioso traduz
Junquemos de flores, num júbilo ardente
O solo bendito da Terra da Cruz!